Virou modismo, todo mundo tem. A princípio, todo mundo que tem alguém. E me refiro àquele anelzinho prateado, claro. Declaro desde agora que nunca tive, mesmo já tendo passado pelo que podemos considerar um relacionamento longo - na minha concepção sobre lapsos temporais afetivos, o que passa de meio ano já pisa no primeiro degrau para aquilo que chamaríamos de duradouro.
O fato é que o tal anel ficou tão comum, que consigo falar dele sem muita cerimônia. Na verdade, realmente não é preciso ter cerimônia nem para colocá-lo, afinal. E por que, pra quê usá-lo?
A essa altura, já me fiz passar por uma tremenda de uma cética em matéria de alianças de compromisso (é esse o nome do anelzinho prata!), mas não é bem assim, é só mais ou menos assim. Então me proponho a fazer certas considerações pessoais (o grifo taí, para deixar bem claro que o que está por vir não partiu de qualquer outra evidência, senão minha própria cabeça).
Pois bem, em tempos de "ninguém é de ninguém e todo mundo é de todo mundo" (argh), o anelzinho parece trazer um significado importante: a escolha de "uma" pessoa. Estranho, mas é. Talvez seja um jeito bacana de o carinha dizer à freguesia circundante algo do tipo "Ei, essa mocinha aqui está temporariamente inchegável, ok?", ou vice-versa. Coincidência ou não, na pesquisa muito da chula que eu fiz sobre o assunto antes de abrir a janela de postagem, encontrei que laaaaá no início, a aliança era como que um certificado de propriedade da noiva, ou de compra (!) da mesma, indicando que "a mercadoria" já não estava mais disponível aos demais interessados. Retrocesso à vista?
De uma forma ou de outra, é inegável que as alianças de compromisso vieram "elevar" o status de um namoro. Ou pode ser que tenham é banalizado tudo, de vez. São o marco de um relacionamento sério em meio ao caos de valores, ou mais um puro exibicionismo imposto pelas tendências que empurram goela abaixo dos consumidores o que bem entendem ser a forma de amar da moda? E o que dizer dos que a usam sem nem ter formado seu parzinho romântico? Aiaiai.
Baseando no conhecimento empírico alheio que tenho - o que não é difícil de se obter, visto que os aneizinhos estão à solta em qualquer ambiente social -, posso dizer que não os considero discretos, mas nem de longe. E se chego mais perto de alguém que tenha um daqueles no seu anelar, numa conversa rotineira, ploft, lá se foi meu olhar em direção à nova marca registrada dos que vencem na brincadeira do bem-me-quer. Ou será que a indiscrição é minha?
Mas, por tudo o que eu disse até agora, não significa que abomino alianças sob toda e qualquer hipótese. A própria palavra escolhida para o objeto me faz enxergá-las como a materialização de uma das coisas mais fortes de que se tem notícia, entre duas pessoas: o sentimento que as torna capazes de convergir suas vidas para um mesmo caminho, acima e apesar de todas as trilhas alternativas que lhes apareçam ao longo do tempo. São aliados.
Só que se trata de um mero símbolo. Poderiam ser dois grãozinhos de qualquer coisa, pedacinhos de papel, duas pequenas folhas de árvore. Ora, eu arriscaria que uma pessoa não precisa de um ovo de Páscoa número 23 para renovar seu espírito, nem do último e mais transado playstation do mercado para que o Natal finalmente faça sentido.
Então também não precisa necessariamente de uma maciça e indiscreta aliança para dizer que ama alguém. Se é que ama.
E gente, namoro é conhecimento, não demarcação de território! Não vá pensando que um simples acessório acabará de uma vez por todas com as inseguranças que você tem em relação ao outro. Porque elas são normais, inclusive. Coisa que o tempo tratará de evaporar, de pouco em pouco. E se tudo der certo, lá na frente as alianças virão, de qualquer jeito.
Só para constar: diga primeiro a quem você ama sobre tal sentimento; se o mundo ouvir, é só consequência.
3 comentários:
Lendo seu perfil descobri que temos algumas semelhanças, vou fazer Direito e sou cruzeirense.
Essa coisa de anel de compromisso eu acho uma idiotice. Desde quando um anel tem que dizer que eu sou fiel com alguém? Isso é a gente que tem que demonstrar, não um anel.
Eu nunca vou usar um desses! Na verdade eu acho até feio! #prontofalei
ixi, duas garotas que não tem o tal anel. #futurastitias.
Eu como um bobo romantico acho até interessante o aparato, mas sem essa desvirtualização tão comum. Problema que o amor e o romantismo também foram banalizados e saíram de moda. Talvez por isso esse anel aparece cada vez mais cedo nos dedos dos pombinhos e nada significam quanto a fidelidade ou bom relacionamento.
Ótimo texto, Tami!
Concordo que atualmente seja banalizado. Tipo, ao conhecer qualquer pessoa nova, a tal da rodelinha de metal semi-nobre torna-se uma pergunta a mais que delongaria mais uns cinco minutos de conversa.
Acho que o significado da aliança não tenha modos de caber nas dimensões de algo que pode ser retirado e recolocado como uma peça de roupa.
Tatuagens na testa, talvez...:p
bjo
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