domingo, 5 de julho de 2009

"A" invenção

"[...] não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam."
William Shakespeare
Taí a GRANDE invenção de todos os tempos: o desconfiômetro. Desconfio que o primeiro lote de fabricação tenha surgido no exato momento em que as pessoas se tocaram que lhes era conveniente a vida em sociedade, apesar do vizinho que deve pensar que você não tem despertador e precisa da musiquinha maneira dele para dar bom dia ao sol, da tia que faz caravana para a casa alheia (a sua house, claro!) e da droga cobra sogra que lamenta aos quatro ventos pelo quanto o principezinho dela ficará anêmico com a sua comida. Só não sei se, àquela época, a engenhoca era mais arcaica e enjambrada, ou se foi ficando capenga ao longo do tempo. Mas não tenho a menor dúvida de que uma molinha desregulada pode fazer um estrago danado, seja qual for o modelo ou a marca.
Sou do tipo de pessoa que segura as pontas até onde der - ou um pouco mais -, para não pedir ajuda e/ou incomodar os outros. Logo, me sinto meio que no direito de abraçar os problemas alheios até quando sentir que estou virando poleiro. Me deixou notar isso? Agora é contigo, se vire. Ora, quem precisa ter pena de você e tomar alguma atitude, é você mesmo (trocadilho besta e inevitável). Porque meu computador não é lan, não te dei meu celular para você me ligar 9 (nove) vezes, e eu não nasci canhota para prestar serviço de cola, beibe.
E, para completar, certas coisas são inemprestáveis. Na verdade, não são pedíveis.
A essa altura, já tem gente pensando que eu sou uma ilha egoística. Será questão de genética? Juro que vi minha irmã com tromba de aliá, p. da vida com a menina que pegou o livro Crepúsculo dela e devolveu com amassadinho.
Acho que não é problema de gene. Tem uma vozinha (não é diminutivo de avó, mas de voz, ok?) materna que ecoa desde sempre, com repertório imutável: "É melhor ajudar que ser ajudado, é melhor ajudar que ser ajudado, é melhor aj...". Eis meu freio caseiro que me impede de mandar fulanos/as para os quintos mais cedo do que eu faria.
É, talvez eu não faria. Mais certo que eu não faria, afinal. Também sou do tipo de gente que quase explode de raiva antes de falar qualquer coisa. Postura que nunca inibiu as críticas de mão pesada vindas dos seres que adquiriram desconfiômetros de marca diferente do meu.
Sim, me proponho a pensar na configuração ideal para "a" invenção, se meu modo de manipulá-la for demasiadamente ao pé da letra, bem como vem escrito no manual. Só não espere que o repertório que fez parte da minha criação me faça confundir boa com boba. A distância entre uma e outra pode ser mínima, mas nada que impeça a diferenciação. Fora que, se for necessário ostentar o diploma de "boazinha" - modo carinhoso de trouxa - no meu currículo, prefiro que me dê o título de megera.
De pouco em pouco, as molinhas do aparelho de alguéns vão se encaixando. Ô se vão.

1 comentários:

Felipe disse...

Quanta fúria O.o
Hahahah
Mas tem gente q é assim mesmo (não que seja certo). Vc ajuda uma vez e a pessoa passa a pensar que é sua obrigação ajudá-la todas as outras vezes.
Avisa pra tua irmã q uma vez emprestei meu caderno pra uma garota da sala. Sou P. de ciúme do meu caderno, mas foi. Ela me devolveu de um jeito que parteceu q ela tinha mastigado a capa toda. Dois dias depois pediu denovo.
Ótima postagem
Bjo

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